Voltar pra casa

Todos os cursos, que facilito, acontecem primeiro comigo. Eu os sinto, vivencio e depois de passarem por mim, eu consigo processar e compartilhar com as outras pessoas. Assim, está sendo com a meditação.

Há alguns anos atrás, eu tive uma consulta sobre meu mapa astral védico e veio a pergunta: “Você medita? Você nasceu para meditar.” Saí da consulta ainda com a pergunta reverberando e não segui o conselho. Permaneci na minha zona de conforto, com pequenos momentos meditativos, com os encontros de Deeksha. Já havia feito algumas tentativas em casa, mas ainda não me sentia e não achava que estava meditando.

Comecei a ser desafiada quando me deparei com uma oportunidade de facilitar uma escola de meditação. Meu parceiro traria a experiência dele como meditante e eu com a minha de facilitadora da Deeksha e seus ensinamentos. E assim, o curso começou a acontecer comigo. A cada preparação, a cada novo conhecimento, um mundo novo ia se abrindo: o meu mundo. E não era uma preparação teórica, era uma experiência 24h/7.

Lembro que saindo de uma das reuniões de preparação, me vi atrasada para pegar minha filha na escola. A ansiedade chegou na boca e pude sentir seu gosto amargo. Minha mente logo criou uma história cheia de sórdidos detalhes, incluindo uma culpa materna por não estar ali no horário certo e por ter ouvido da filha que não queria ficar esperando, já que ainda não tinha feito tantas amizades na escola nova.

Em fração de segundos, pude sentir meu corpo enrijecendo, os ombros encolhendo, as costas queimando e eu já estava na escola. Mas na verdade, eu ainda estava no carro. E foi neste momento que comecei a meditar, trouxe minha presença e meu foco para o momento agora: o que eu estava fazendo! Assim, fui focando na minha respiração, focando no carro, na rua, no caminho, nos carros ao lado, no semáforo. Eu voltei pra mim mesma, e não para os devaneios da mente. Fui sentindo, pouco a pouco, meu corpo relaxando, os ombros descendo, a dor nas costas se dissipando. E minha mente ia e voltava do carro para a escola, e vice-versa.

Quando cheguei à escola, eu pude perceber que estava mais leve. Agora sim eu chegava na escola. Quando encontrei minha filha, ela me recebeu feliz e dizendo que até foi bom ter ficado mais tempo, assim pôde conversar com outras pessoas. Neste momento, fiquei feliz por mim e por ela.

Durante o curso, os ensinamentos já começavam a fazer sentido antes mesmo de iniciar a preparação das aulas. Quando eu sentava para organizar o conteúdo, eu compreendi o que estava passando e sentindo naquela semana. Isso aconteceu com a minha relação com meu marido, minhas filhas, e o ensinamento vinha apenas para confirmar. Lembro que em maio no Chá Astrológico de Touro, a Andreia explicou como se dava o processo de preparação e escolha das ervas. Ela intuía, era guiada e o chá se fazia. Era exatamente a mesma percepção que acontecia comigo: o ensinamento chegava em forma de experiência e depois se revelava como algo concreto. Eu precisava vivenciá-lo para depois compartilhar.

Hoje, além do grupo de meditação, eu procuro meditar à noite antes de dormir, mesmo na cama. Sei que não é o melhor local, nem horário, mas é o que eu consigo no meio da rotina mulher/esposa/mãe/empreendedora.

Fazendo uma caminhada, fiquei me perguntando qual outro horário que seria mais ideal e me veio a seguinte resposta: “você está tentando o tempo todo meditar, sabia?” Foi neste momento que percebi toda a minha atenção em tudo o que estava acontecendo comigo, desde o instante que, efetivamente, comecei a meditar. Trouxe a meditação para o dia-a-dia, em qualquer momento, percebendo o que estava acontecendo comigo, percebendo as crenças, percebendo um novo olhar, percebendo as sensações.

Lembro de uma situação em que estava em um concerto e me vi imersa em toda aquela situação, sentindo a música, sentindo meu corpo, a emoção em ouvir e estar frente a frente, ou melhor, dentro daquela música. Isso é meditação. É estar conectado com você mesmo e com tudo a volta. É uma sensação de plenitude.



Hoje, quando alguém pergunta o que é meditação, eu respondo: é voltar para casa, para você mesmo.

Ver pela primeira vez!

Acredito que tudo chega no momento certo, seja por você estar pronto para fazer ou pronto para receber e aprender.

Recentemente, iniciei um projeto de meditação para adultos e logo em seguida, surgiu uma oportunidade para meditar com crianças em uma escola. O formato para adultos estava organizado, desenhado e fiz alguns ajustes para facilitar esta prática com os pequenos. Em um único mês, tive contato com cerca de 90 crianças de 5 a 10 anos.

O que eu mais aprendi com eles? A ouvir, a percebê-los, a senti-los e a mim também. Aprendi a ouvir os gestos mais sutis, a sentir os desafios mais incisivos, a receber os olhinhos atentos quando ouviam as histórias que trazia e me abrir para eles. 

Para percebê-los, passa em me perceber: minhas angústias enquanto facilitadora, enquanto mãe. Perceber minha resistência e ao mesmo tempo, em confiar no que as crianças trazem e querem da gente. Aprender a ouvir com o coração e não questionar.

Presenciei momentos desafiadores em que fui testada de forma indireta e direta. Houve um momento em que recebi uma resposta “atravessada” de uma criança, mas procurei não me abater em frente ao grupo. Facilitei a meditação e quando encerrei, a mesma criança disse “Já terminou? Não eram 15 minutos?” E nesta hora, só respondi que naquele dia havia terminado mais cedo. Mas me senti feliz por ele ter reparado e ter achado pouco. Recebi como a forma dele em dizer que ainda me queria por perto. Assim, pude aprender a respeitar o jeito do outro.

Em uma outra situação, entrei em uma sala logo após o recreio. As crianças voltaram para a sala e permaneceram no momento do silêncio, período em que a escola toda pára para silenciar, se perceber. Eles ainda estavam agitados e a vivência meditativa foi um tanto desafiadora. No momento da minha saída, a professora me aborda se desculpando que talvez não fosse um bom momento por ser após o pátio. Já ia responder que não havia momento bom ou ruim, quando um pequeno bem sorridente chega e diz: “prô, este é um ótimo momento. Você chegou logo após o silêncio. Foi ótimo!”. E eu apenas virei para a professora e disse: “Isto responde a sua pergunta?”

Meditar é estar atento ao seu mundo interno e externo. Meditar com crianças é reviver estes olhos atentos para dentro e para fora, como vendo pela primeira vez.


Aprendendo a ser eu mesma

seja voce mesmoEu precisei me perder para saber quem eu sou. Há alguns anos atrás, eu não sabia mais quem eu era. Eu me escondia em um trabalho, em posições sociais e não era feliz. Em uma noite, trocando minha filha de um ano e pressentindo que uma grande mudança (real e prática) estava para acontecer, eu pedi. Pedi para que a mudança viesse completa.

 

Ainda bem que não pedi para quebrar tudo. Acredito que intuitivamente eu já sabia o que quebrar, mas não tinha esta clareza. Na verdade, nunca teremos. Somos limitados. Nosso papel é ouvir e seguir esta inteligência superior, sem questionar.Foram anos de perdas, quebras, realidades vindo por terra, mas por outro lado, novas redescobertas, novas conexões, deixando vir a tona este Ser. Ele ainda está vindo, o processo é contínuo, não pára. A ilusão de algo finito é tão ingênua, que chega a ser ridícula. Como parar um fluxo? Siga-o, deixe-se ser levado... conscientemente. E aproveite.Recentemente vi um vídeo (link) em que a cantora Lauryn Hill trouxe uma outra perspectiva a cerca dos desafios da vida. Ela os chamou de momentos de aprendizado e maestria. E que o fluxo não pára. Parar é ficar preso. E ficar em uma zona de conforto. E isso me faz lembrar algo que ouvi em meu primeiro estágio “se vira, você não é caixote.” Ainda bem!

 

Hoje, após uma semana me organizando, ouvindo e recordando várias vivências, que passei nos últimos anos, cheguei a conclusão que o caminho é SER, realmente e verdadeiramente, quem você é. E hoje me peguei falando para uma pessoa que é um sofrimento a gente ser quem não somos. Finalmente, percebi que meu propósito é ser quem eu sou e facilitar para que outras pessoas também se descubram e sejam quem elas são. Assim simples. Como? Começa por mim... aprendendo a ser eu mesma!

 

O Arcano

Blogs

Interatividade

Siga-nos

Apertura de cuenta bet365.es